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segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Blog da Belgna: QUANDO NASCEU A CORRUPÇÃO NO BRASIL? EM QUE GOVERN...
Blog da Belgna: QUANDO NASCEU A CORRUPÇÃO NO BRASIL? EM QUE GOVERN...: Oswaldo Faustino QUANDO NASCEU A CORRUPÇÃO NO BRASIL? EM QUE GOVERNO HOUVE PUNIÇÃO? O historiador Sidney Chalhoub faz uma exce...
QUANDO NASCEU A CORRUPÇÃO NO BRASIL? EM QUE GOVERNO HOUVE PUNIÇÃO?

QUANDO NASCEU A CORRUPÇÃO NO BRASIL? EM QUE GOVERNO HOUVE PUNIÇÃO?
O historiador Sidney Chalhoub faz uma excelente reflexão sobre o tema e a querida jornalista Ana Flávia Magalhães Pinto nos reúne numa roda, para refletirmos juntos:
A “Velha Corrupção” (carta aberta aos jovens sobre as eleições)
Sidney Chalhoub - historiador, professor da Unicamp
A violência do debate eleitoral no momento causa perplexidade aos jovens de idade semelhante aos que tenho em casa, que talvez acompanhem pela primeira vez, “ligados” de verdade, uma campanha eleitoral dessa importância para o país. Especialmente em São Paulo, a grande imprensa produziu um verdadeiro clima de guerra civil midiática em torno desta eleição, desinforma o quanto pode, confunde e manipula. São anos a fio de fogo cerrado contra o governo, em matérias jornalísticas cujos autores assumem o ar arrogante de ilibados defensores da ética e do interesse público.
A insistência no tema da corrupção, como se o atual governo tivesse inventado semelhante mostrengo, é uma combinação ácida de ignorância e hipocrisia. Vamos primeiramente à ignorância histórica, na qual a grande imprensa chafurda com grande desenvoltura. A corrupção está, por assim dizer, no código genético do Estado brasileiro. Nas primeiras décadas após a Independência, período de formação do Estado nacional, a fonte principal da corrupção foi o tráfico ilegal de africanos escravizados. Ao negociar o reconhecimento de nossa Independência no exterior, o Brasil contou com o apoio da Inglaterra em troca do compromisso de não continuar a capturar e escravizar africanos por meio do tráfico negreiro. Em respeito aos acordos internacionais firmados pelo país, o parlamento brasileiro aprovou uma lei de proibição do tráfico africano em 7 de novembro de 1831. Todavia, os africanos continuaram a chegar. Entre 1831 e o início da década de 1850, quando o tráfico realmente acabou por força da aplicação de uma nova lei, 750 mil africanos foram introduzidos no Brasil por contrabando e escravizados à revelia das leis do país.
O tráfico negreiro ilegal coincidiu com o desenvolvimento da cafeicultura no Vale do Paraíba fluminense e paulista. Em meados do século XIX, era comum que cerca de 80% dos trabalhadores das fazendas de café dessa região fossem africanos ilegalmente escravizados. Para dizer as coisas com clareza: a riqueza dos barões do café e a prosperidade das províncias do Rio de Janeiro e de São Paulo foram construídas por meio da escravização em massa de africanos sequestrados em seu continente de origem e trazidos para o Brasil ilegalmente. O negócio contou com a prática de corrupção em todas as escalas do governo do país e envolveu amplos setores da sociedade, desde os empresários envolvidos no tráfico, outros empenhados em manter a clandestinidade das operações, até os intermediários e fazendeiros que adquiriam os escravizados.
Basta de informação, oferecida aqui apenas para contrabalançar a ignorância histórica de boa parte da mídia nativa. Em especial quanto aos jornalões do Estado de São Paulo, eles deviam enrubescer de vergonha cada vez que insinuassem a virtude própria para enfatizar a corrupção alheia. Um deles, àquela época chamado A Província de São Paulo, foi fiel defensor dos proprietários de gente criminosamente escravizada. Quanto a este assunto, desde a sua fundação, em 1875, foi conivente com a Velha Corrupção. Sim, “Velha Corrupção”, para marcar bem o tamanho histórico do problema que os jornalões cismam de atribuir ao atual governo, apenas no intuito de desinformar e tentar influir no resultado das eleições.
Portanto, chega de hipocrisia, de usar dois pesos e duas medidas. No país independente, a corrupção surgiu junto com o Estado em formação, nele se incrustou e é uma tragédia que aí continue. Assim como continua a grassar na sociedade, como parece óbvio, presente às vezes nas falas dos próprios sujeitos que, ao mesmo tempo, vociferam contra os corruptos no Estado e se dedicam com afinco a viciar concorrências públicas, a bolar estratégias para sonegar impostos diversos, até para ingressar nos aeroportos do país com muambas variadas e outras baixezas do gênero.
Chega de hipocrisia. Onde estava a disposição de investigação da grande mídia quando o governo do PSDB, segundo se dizia, comprava os votos de parlamentares para aprovar a lei que permitiu a reeleição de Fernando Henrique Cardoso? O chamado “mensalão do PSDB mineiro”, origem do outro do qual tanto se falou, por onde anda? As denúncias de irregularidades nas privatizações tucanas de empresas públicas –algumas vendidas a preço de banana- mereceram a devoção investigativa da grande imprensa? Trens? Metrô? Tudo anda assim tão dentro dos conformes em São Paulo, a nossa Tucanolândia?
A corrupção é tema complexo e difícil. Não há governante, no Brasil, que dê cabo disso numa penada. Muita coisa se pode e deve fazer para livrar o país da Velha Corrupção. Para começar, o governo precisa ter disposição para enfrentar o problema e tem de garantir a eficácia e a independência dos órgãos encarregados de investigar, processar e punir os responsáveis. O governo Dilma foi exemplar nesses quesitos. Por conseguinte, a hipocrisia de caluniá-lo por isto é especialmente danosa à democracia e ao atual processo eleitoral.
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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Mulher maravilha em seu elemento
Ela é chamada de Arabela Ribeiro Ramos. Ela nasceu numa terça-feira, 27 de junho de 1939, na zona rural Carolina. Que está localizado ao sul do Maranhão, à beira do Rio Tocantins. No tempo de Arabela um rio mais movimentado por causa do porto da cidade. Hoje uma cidade turística bonita com mais de 24.000 habitantes. Com impressionantes cachoeiras. No entanto, Arabela nunca mais a visitou. Passou a maior parte de sua vida em outra pequena cidade também à beira do Rio Tocantins. Tupiratins onde se casou e teve sua primeira filha.
Ela é a segunda na linha de onze filhos de João Ribeiro e Dalzira Nascimento. Seu pai trabalhou a vida inteira no campo como agricultor. Com muito suor. Arabela também como sua mãe, dar à luz onze filhos, os quais andam na terra com uma vida saudável. Sempre trabalhou duro com o marido para alimentar seus filhos.
A Arabela de 73 anos agora vive com o marido, um filho, uma filha e seu marido (o escritor do blog), em uma casa em Taquaralto, um subúrbio da capital do estado do Norte escassamente povoado de Palmas Tocantins.
Arabela tem sangue indígena, recebeu do avô, do lado da mãe. Arabela conhece bem a natureza, sabe tudo da natureza, tem uma ligação visceral com a natureza. Ela olha para o céu, quando nuvens surgem e sabe se vai ou não chover, se é uma chuva torrencial, só uma chuva, com ou sem tempestade e com relâmpago.
Eu é claro não posso deixar testar ela. Ver para crer. Uma nuvem, um ar de trovões, rajadas de vento e eu começo. Mãe, tem chuva hoje? Arabela olha para o céu, sob seus ombros hoje, sucessivamente. ´não, hoje não, só no outro lado do bairro. Ou: ´´Quinze minutos vai chover aqui muito`` E sim, acontece.
Mais sobre a natureza gente. Por trás de sua casa,tem um grande jardim. Uma espécie de Horta. Com árvores que dão frutas, como manga, caju, acaí cupuaçu, goiaba,abacate, muitas plantas medicinais, pimentas de todas as cores, sabores e tamanhos, tomates pequenos (gostoso!). Mais de três centenas de plantas diferentes. Dor na barriga, garganta seca, nariz escorrendo? Mãe oferece uma xícara de chá. Primeiro colhe uma folha ou um galho no jardim. E põe para cozinhar em água. Às vezes é tão terrível que é preciso coragem para mantê-lo dentro. Se isso ajuda, quer saber? Precisa ainda de alguma resposta a seguir?
Arabela é uma mulher-maravilha, não é uma pessoa de muitas palavras, mas por outro lado, muitas ações. Ela é extremamente criativa. Ela nunca para. Ela faz de dois litros de garrafas de plástico vazias de refrigerante, fio, fios e tecidos muito agradável porta-papel (foto direita). As mesmas garrafas ela também corta em tiras e Arabela prega em um pau velho. Uma vassoura, é bom para limpar teia de aranha. Um outro tipo de vassoura é fabricado de ramos de uma árvore de Açaí. Arabela usa tudo, joga nada é jogado fora. Tudo se transforma.
Realmente um milagre é uma criação de uma rede. Difícil a seguir. A rede é esticada por um lado desgastado de uma antiga máquina de lavar, que ela já se transformou em uma mesa, e do outro lado em uma árvore. Ela usou o lado sem corte de uma faca grande e um tear, feito de palitos de picolés.
Ele funciona perfeitamente. Arabela move suas mãos lentamente. Mas sem parar. Ocasionalmente para, ela olha, ela sente. E está bom, ela sabe. "Você não deve contar quantas vezes você deve inserir o laço?"', eu pergunto. Ela faz isso sete vezes. Arabela ri. "Não, eu não preciso contar". Pergunta estúpida.
Antigamente, ela fiava a linha de algodão. E, em seguida, tecia em tear cobertas, redes, roupas. Sim, ela ainda tem o fuso de fiar o algodão. Ela me mostra. Cade os fios? E oba, novamente, os dedos começam a fazer delicadamente e aparece um fio forte. Parecia muito fácil. Esqueça. Quando eu tento, não aparece nenhum milímetro de fio de algodão. Desistir é melhor.
Arabela fazia em três dias, uma rede que certamente dura dez anos. Necessidade, porque todos os seus filhos dormiam em casa em uma rede. Evaldo, um deles, confidenciou-me uma vez: "Eu dormi até me casar em uma rede .Depois de casado dormi pela primeira vez em uma cama". Arabela faz pequenas redes, solicitadas pelos netos. Lá eles podem deixar suas bonecas dormirem. Essas redes são bonitas. Elas são perfeitas, até o mais ínfimo detalhes.
Arabela não está acostumada a ir para sua cama cedo. A noite ela vai costurar na sala de estar por trás de uma máquina de costura Singer preta antiga. Que sem dúvida, você encontra esta máquina de costura num famoso museu holandês da Singer em Weert. A máquina de Arabela tem esse maravilhoso som sonoro. Arabela recupera roupas, inventa outras. Incontáveis pequenos retalhos, costurados e formando um completo cobertor . Que paciência. Os olhinhos. Nada escapa a ela. Contar? É para estúpidos. No chão estão coberto de pequenos pedaços de retalhos. Arabela puxa durante a costura da colcha de retalhos. Pouco para a esquerda, pouco para a direita. Corte corte, diz um par de tesouras. A Singer não pára. Parece mais modelar que costurar. É estilo de Arabela. Um mulher maravilha em seu elemento.
Texto adaptado do Blog de Norbert Bruggeman/http://brugje.blogspot.com
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